sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Capitulo 8


-Estes marshmallows até são bons
-Nunca tinhas comido antes? Estou chocado….
-Não, nunca. Chocado? E tu, já alguma vez comeste bacalhau?
-Sim, chocado. Não, nunca
-Crepes com chocolate?
-Também não
-Agora quem esta chocada sou eu, é melhor coisa do mundo – Disse com um enorme sorriso e um brilho nos olhos.
Do nada ele beija-me e fecha os olhos e levanta um dos cantos da boca e ri-se para mim.
-Sim, adoro crepes com chocolate
-Mas já tinhas comido antes ou não?
-Não, mas tu não disseste que era a melhor coisa do mundo? A melhor coisa do mundo és tu, sabes porquê, porque tu és única, a única rapariga que me faz viver a sensação de nunca ter falado com uma rapariga antes todos dias, a única que me apetece ter sempre perto de mim, a única que me desafia todos os dias e única que me tenta em roubar o seu último nome – enquanto isto tira o meu cabelo da frente da minha cara e levanta-a e roda-a, ficamos a olhar um para o outro e ele vai passando a mão nas minha bochechas que cada vez ficam mais corada, aproxima-se lentamente, parecendo que  me ia beijar, mas depois começa a sussurrar no meu ouvido – Nunca disse isto antes a ninguém, mas acho que te amo!
Nesse momento a minha cara estava a ser rasgada por um sorriso e podia sentir uma lágrima a cair no canto do olho, abracei-o com tanta força que podia ouvir o seu coração
-Eu também te amo!
Assim ficamos, agarrados um ao outro, num momento marcado pelo sentimento nos nossos olhares, pela paixão que se denotava entre nós, o meu coração batia a mil, tal como o dele, o bater do seu coração, a sua respiração…. Era tudo o que eu conseguia ouvir, de repente o mundo havia parado completamente e apenas restávamos nos, sentados, á luz de uma pequena fogueira, com a luzes da cidade. Nunca me haviam dito com tanto sentimento que me amavam, estava completamente apática, talvez por ter sido tão de repente ou simplesmente a emoção a falar mais alto
-Amanha temos aula – diz encostando a sua cara minha – devias dormir… Deita-te, eu aqueço-te.
Deitei-me ao seu lado virada para ele, com a cabeça encostada no peito dele e ele com o queixo em cima de mim e com um braço á minha volta
-Não consigo…. Estou com uma música na cabeça
-Qual?
- Entre o Sol e a Lua, não deves conhecer.
-Espera só um bocado
Dois minutos depois, para minha surpresa, começa a cantar aquela música, nunca iria imaginar que ele sabia a música, especialmente por ser portuguesa. Aquela música fazia-me sentir tão bem, um ritmo tao calmante, e fazia-me voltar ao meu país, á minha língua e às minhas raízes. Foi tão estranho ouvi-lo cantar em português, ainda por cima esta música que me diz tanto, mas a verdade é que ele cantou a música tão bem, conseguia ouvir o sentimento na sua voz
Como será que conhecia esta música? Perguntava-me constantemente, pensei em perguntar mas não sei, não seria um bocado estranho perguntar? Não sei…. Mas tenho de o fazer isto está-me a atormentar….
- Pergunta, eu sei que o queres fazer….- Murmurou
- Pergunto o quê?
-Como conhece a música e falo português mais ou menos….
-Estava a pensar perguntar, mas só contas se queres….- Por dentro estava a morrer de curiosidade mas ele dava-me uma sensação de que o que quer que fosse não seria nada de mais.
- Agora não acho que seja importante, mas um dia prometo que te conto.
Apesar de sentir curiosidade por saber eu tinha confiança nele, ele não me ia esconder algo que me prejudicasse. Voltei a encostar-me a ele e abracei-o com mais força do que o habitual e ele sentiu que algo não estava tao bem como habitualmente e tentou reconfortar-me cantando a nossa musica mas não estava a resultar, ai levanta-se e vai até á beira do planalto e fica a olhar para o horizonte estrelado.
Vou ter com ele e fico ao seu lado a olha para o trânsito que lá passa. Lembro-me de pensar que mesmo a meio da noite o movimento da cidade é imenso comparado com Portugal em que raramente passavam carros a noite.
- Não viemos parar aqui por acaso. Não estamos perdidos – Suspirou. Olhei-o com um ar confuso, não fazia ideia do que estaríamos a fazer aqui, num lugar tao isolado – Tem calma, quis trazer-te aqui porque este é o meu sítio especial, venho para aqui sempre que sinto saudades de alguém ou quando preciso de pensar. O meu avo trouxe-me aqui pouco antes de morrer num acidente de carro, acampamos aqui, tal como nós estamos, pouco antes de nos deitarmos ele contou-me a história de como conheceu a minha avó, tinha sido neste exacto sítio, da mesma maneira, desde então vinha aqui todos os fins-de-semana com ela e fazia exactamente o mesmo, acendiam a fogueira e ficavam a ver as estrelas antes de se deitarem, já de madrugada. No fim da história ele disse-me que mais tarde ou mais cedo eu viria aqui parar com alguém especial, por acidente, tal como ele ou então não. Trouxe-te aqui porque quero que saibas que o que sinto por ti é verdadeiro e queria poder partilhar o meu sítio especial com alguém especial. Tu. Também te quero dar isto, a minha avó quando soube de ti deu-mo, pode não ser muito, mas ela insistiu em que to desse, ainda a consigo ouvir: “Dá-lhe este colar, vais ver que nunca se vão esquecer um do outro independentemente do que aconteça” chama-me maluco, mas eu acredito. – Nessa altura ele pôs-me o colar, era um fio de prata com um medalhão em forma de coração que atrás tinha o símbolo de infinito gravado. Abracei-me a ele com tanta força, as lágrimas escorriam-me pela cara, ele demorou a retribuir o abraço, como se não tivesse a espera da reacção e depois de me beijar na testa olhou-me nos olhos e disse “Nós vamos ficar juntos para sempre”














domingo, 14 de outubro de 2012

Capitulo 7


Entramos no carro e fomos para casa dele, a casa era a um quarteirão da minha, presumi que ele não me pudesse levar, então tirei o casaco e estendi-o ate ele na minha mão, ele puxa-me para perto dele
- O que se passa, já não tens frio?
- Não é isso, eu vou para casa
- Porque não esperas por mim?
- Pensava que não podias levar-me, como paramos em tua casa….
- Não é por isso- disse rindo- sabes é que eu sempre quis fazer uma coisa com uma rapariga de quem gostasse… Gostava de te levar a pé até casa, mas como tinha o carro na escola e depois a escola fica longe assim vamos os dois de minha casa até tua.
Um sorriso esboçou-se na minha cara e enquanto isso ele pôs o braço, como nos filmes antigos quando os homens iam ter com as mulheres, eu ri-me e fui ter com ele. Assim fomos pela rua fora de encontro á lua que enchia o horizonte. Chegamos a porta de minha casa, então eu comecei a afastar-me mas ele puxa-me para perto dele e beija-me
- Com esse anel espero que te lembres que és minha, que vou sempre estar aqui e tu vais estar sempre no meu coração
Eu ia para falar e ele pôs-me o dedo na cara num acto para me silenciar
- Vamos acabar assim a noite, não vamos fazer despedidas, porque nós nunca nos vamos separar.- Lentamente tirou a mão e foi-se afastando e assim entrei em casa. Eu tinha um sorriso impossível que não conseguia conter, nunca estivera tão feliz. Mais tarde encontrei a Ruthe no Skype e estivemos a falar sobre a escola e tudo isso, até que ela puxa assunto sobre o que acontecera no meu almoço com o Nick, não tinha outro remédio senão contar-lhe a verdade por muito estranho que parecesse depois de ter dito que não ia ser mais do que um encontro de amigos e pelo simples facto de que apenas o conhecera a pouco menos de uma semana. A reacção dela fora o esperado, mas quando lhe mostrei o anel ela ficou boquiaberta e apenas dissera que o tinha de ver, no dia seguinte combinamos os quatro, e mais algumas amigas dela ir a casa dela ver um filme. Pouco antes de ir embora ela disse que era melhor eu e o Nick falarmos sobre assumirmos ou não e que ela ia agir como se não soubesse. Talvez fosse o mais acertado visto que não tínhamos falado sobre o assunto, e não sei, mas tinha um pressentimento errado apesar de tudo ser bom naquele momento.
Chega ao dia seguinte e vamos todos para casa da Ruthe ver o filme, se não me engano acho que era “Cartas para Julieta”, mas estava demasiado ocupada por estar ao lado dele e ele estar abraçado a mim, embora já soubesse toda a hitoria, era uma daquelas que eu sempre sentia com bastante intensidade como se fosse comigo, mas desta vez era algo real, com o Nick a meu lado eu sentia-me verdadeiramente a personagem principal, mas a verdade é que desta vez não queria ver o filme, algo me fazia querer sair dali…. Entretanto a Ruthe põe pausa, para ser uma espécie de intervalo, nessa altura levanto-me e vou até a rua e ponho-me a olhar para o pôr-do-sol que se via no horizonte durante algum tempo, pouco tempo depois sinto alguém atrás de mim, era o Nick a chamar-me para ir ver o filme, nesse momento confessei-lhe que não me estava muito a apetecer ver, que apenas queria sair dali, nesse momento ele agarra a minha mão e puxa-me para o carro dele, eu tento perguntar-lhe onde vamos, mas ele apenas me diz que vamos a um sitio especial. Entramos no carro e fomos andando pela baixa de LA, Malibu, Venice beach,…. Horas passavam, parecia que não íamos parar tão proximamente e eu estava a sentir-me imensamente cansada do dia anterior
- Estou quase a adormecer…- disse já meia ensonada
- Não tem mal…. Podes dormir, assim a surpresa fica melhor- disse sorrindo
Pouco tempo depois adormeci.
Quando acordei já tinha anoitecido, estávamos os dois deitados nos bancos da frente, eu estava coberta com o casaco dele e a capota estava aberta, podíamos ver as estrelas por cima de nós. Quando saí do carro reparei que estávamos num planalto de onde podíamos ver uma cidade, ali conseguia ouvir o barulho de um espectáculo local e as luzes eram imensas, parecia que o chão era luminoso.
-Onde estamos?- Perguntei a medida que me virava para trás
-Aparentemente em Simi Valley… Pelo menos era o que o sinal dizia
-Aparentemente? Fazes ideia onde estamos?
-Nem por isso…. Anda cá… enquanto eu estiver aqui não te vai acontecer nada.- Disse abraçando-me
Demorei algum tempo a processar a ideia de estar perdida, mas lá no fundo sentia-me segura por estar com ele, além disso não nos podíamos ter perdido em sítio melhor…. A vista era mesmo linda, e pelo menos tínhamos o carro dele e agora que ele me tinha abraçado sentia-me cada vez melhor.
- Vou buscar lenha para fazer uma fogueira.
- Podíamos utilizar o ar condicionado do carro, não?
- Acho que estar sentado a volta de uma fogueira sob as estrelas é muito mais romântico…. Não achas?- Disse com um sorriso lindo- Espera no carro volto rápido.
Entrei no carro, o silêncio assustava-me e naqueles momentos qualquer barulho parecia algo saído de um filme de terror, o tempo parecia que demorava o triplo do tempo a passar, liguei o radio em busca de me sentir mais confortável, mas por alguma razão não conseguia apanhar nenhuma estação.
Nesse momento estava a sentir-me desconfortável com o silêncio e comecei a cantar:
-Baby, I'm so into you
You've got that something, what can I do?
Baby, you spin me around,
The earth is moving, but I can't feel the ground”
Nesse momento ele aparece a cantar com a lenha nos braços e enquanto canta posa-a no chão e vem ter comigo
- “Oh, That kind lovin'
Turns a man to a slave
Oh, That kind lovin'
Sends a man right to his grave”
Anda até a bagageira do carro de onde tira a sua guitarra e começa a tocar para acompanhar a música
Ambos: You know
I'm crazy, crazy, crazy for you baby
Crazy, crazy, crazy for you baby
-“Tell me, you're so into me
That I'm the only one you will see”
- “Tell me I'm not in the blue, oh
That I'm not wasting
My feelings on you”
- “Every time I look at you”
Ambos: My heart is jumping, what can I do?
You drive me crazy (crazy)
I just can't sleep
Crazy I'm in too deep
You know I'm crazy, but it feels alright (crazy)
Baby thinking of you keeps me up all night
You know I'm crazy, crazy, crazy for you baby
Crazy, crazy, crazy for you baby
 -  É bem verdade, estou doido, doido por ti! – Disse-me olhando-me nos olhos e beijando-me
Já alguém te tinha dito que cantas bem?
Muita gente, mas quem me importa és tu- nesse momento sorriu e agarrou a minha mão.
Puxou-me até ao sitio onde estava a lenha e sentámo-nos lá os dois, e enquanto ele a acendia eu encontrei um saco com marshmalows no casaco dele e fui buscar uns paus onde pusemos alguns. Assim ficamos durante algum tempo, abraçados, junto á fogueira, com a vista mais maravilhosa de sempre e a comer marshmalows. Naquele momento o tempo parou, tal como todas as vezes em que estava com ele
-Que horas são? – Perguntou 
-9.45 pm. Porque a pergunta? 
- Esta é a hora em que eu estou a delirar, porque este momento é demasiado bom para estar a acontecer na realidade. 
Sorri e encostei-me ainda mais a ele, estávamos tão juntos que conseguia ouvir o seu coração. Como ele disse era um momento tão perfeito que eu pensava que estava a sonhar, independentemente do que fosse não queria que acabasse. 
Naquele momento ele sussurra ao meu ouvido para olhar para o céu, nesse momento estava uma estrela cadente a passar no céu 
- Pede um desejo 
-Neste momento só posso pedir uma coisa que é….- ele beijou-me antes de acabar a frase 
- Shhhh!! Não podes dizer senão, não se vai realizar

















sábado, 29 de setembro de 2012

Capitulo 6


A loja era afinal uma joalharia, era mesmo linda, ele fez questão que entrássemos, quando eu entrei os meus olhos viraram-se para o tecto, lá estava um lindo candelabro de cristal, mas depois logo o Nick me chamou a atenção a pedir-me ajuda para escolher um anel, tentei saber para quem mas sem sucesso…. A senhora que estava a atender tratava-nos como se fossemos alguém importante. O Nick apressara-se a pedir para nos mostrar anéis de prata, havia lá anéis lindíssimos eu tentava nem parecer muito impressionada mas era quase impossível.
- Podemos experimentar os anéis em ti? A pessoa para quem é tem mais ou menos o mesmo tamanho
- Não tem problema- a verdade é que estava a morrer por dentro so de pensar que ía poder tocar neles…. Nunca na vida pensei em poder entrar numa joelharia daquelas e experimentar anéis sem me sentir pressionada para o comprar
Experimentámos quase todos os anéis de lá, estávamos quase a desistir mas ele olhou para um anel e ficou encantado, era lindo, banhado em prata, o anel estava dividido em 3, duas das tiras eram direitas e depois uma delas, coberta de pedras a imitar diamantes que se atravessava por cima das outras, ele olhou para mim e disse que aquele era perfeito. Entretanto eu vou lá fora, por incrível que pareça ainda eram quatro da tarde e eu não queria sair dali, pouco tempo depois ele sai com um pequeno saco na mao, olhou para mim e agarrou na minha mão e começamos a andar pela rua abaixo.
Paramos perto de um parque lindo, fazia-me lembre o Central Park em NY, andamos até uns bancos que estavam em frente a uma fonte e sentamo-nos lá e conversamos durante um tempo, até que ele me manda fechar os olhos, depois sinto uma coisa na minha mão
- Sabes porque é que as alianças são postas no anelar esquerdo? Porque é o único dedo que está directamente ligado ao coração – sussurrou ele enquanto me agarrava a mão
Quando eu abro os olhos e vejo o anel que ele tinha comprado na joalharia estava no meu anelar esquerdo as lagrimas começaram a cair-me dos olhos. Ele olha para mim com um ar preocupado e pergunta se está tudo bem
- Sim, não podia estar melhor – enquanto isto ele abraça-me
- Vamos, levanta-te vamos a um sitio
- Já não consigo, os saltos dão cabo de mim
- Então que não seja por isso – quando fico em mim ele já me tinha pegado ao colo e estávamos quase á saída do parque
Ele voltou a subir a rua e estávamos a voltar por onde tínhamos vindo, passamos pela joalharia, pelo restaurante, e perto do restaurante sentada num banco do outro lado da rua estava  a Gwen com as amigas que se assim que deram conta da nossa presença ficaram com uma cara, como se tivessem visto um fantasma, mas a Gwen não se conformou pelo facto de ver, levantou-se e foi ao nosso encontro.

Ele olha para mim e pergunta se eu quero ir embora, acenei com a cabeça de maneira positiva e ele atravessa uma rua muito movimentada, quando a Gwen chega a passadeira o sinal fica verde e ela não tem como passar para o lado onde estávamos, enquanto isso eu e ele continuamos a andar, quase que consigo imaginar a sua cara de furiosa ao ver que não conseguia passar, algum tempo depois voltamos ao mesmo campo de margaridas por onde tínhamos passado antes, nessa altura estava um lindo por do sol, o céu estava coberto com um tom alaranjado com nuances rosa era impossível não ficar apaixonada pela paisagem naquele momento, sentámo-nos e ficamos ali a apreciar durante algum tempo, nada podia estragar aquele momento maravilhoso, nessa altura parecia que o mundo se resumira aquele espaço, nada mais existia, só nos e o campo coberto de flores, o tempo ainda não existia era um mundo sem preocupações.
Estivemos lá durante imenso tempo deitados a conversar, nem dei pelo tempo passar, quando caí em mim já era quase noite, já se notavam algumas estrelas no ceu, a lua esta bem lá no cimo e uma aragem fresca passava por nos fazendo-nos tremer, eu levanto-me e ele levanta-se também logo de seguida
- Devíamos ir é de noite, já se vê a lua…
- “Qual é a luz que brilha através daquela janela? É o oriente, e Julieta é o Sol. Ergue-te, ó Sol resplandecente, e mata a Lua invejosa, que já está fraca e pálida de dor ao ver que tu, sua sacerdotisa, és muito mais bela do que ela própria.”
Enquanto cita Shakespeare ele puxa-me para perto dele enquanto me cobre com o seu casaco e vamos ficando cada vez mais perto
- Até é pecado compares-me com o sol e dizeres que a lua tem inveja de mim
- “Então fica quietinha: eis o devoto. Em tua boca me limpo dos pecados.”- diz beijando-me e agarrando-me fortemente contra ele”
- Agora sou eu pecadora
- “Pecados meus? Oh! Quero-os retornados. Devolve-mos.”
- “Beijais tal qual os sábios”, mas como sábio que és, sabeis que devemos regressar
-Claro que sei, assim que estivermos na escola levarei a donzela a casa
- Lisonjeada me sinto
Começamos então a andar em direcção ao portão de madeira por onde entramos, por onde passávamos conseguíamos ouvir os grilos, as cigarras e ainda víamos alguns coelhos, este fora um dia maravilhoso, mal podia esperar para falar com a Ruthe sobre tudo o que acontecera, mas nesse momento não conseguia pensar em nada apenas no dia que tinha acabado de viver e em como feliz eu estava por estar ao lado dele.



Capitulo 5


Hora de almoço.... Estava perto de sair a correr da escola a correr mas não conseguia, sentia que devia lá estar e esperar por ele. Passaram 3 minutos e ja o conseguia ver na entrada, assim que ele me viu deu uma pequena corrida até mim e depois pos o seu braço a minha volta e levou-me por uma estrada quase deserta, tinha algum medo do que la pudesse acontecer, afinal de contas não o conheço assim tao bem, por isso arrisquei em perguntar-lhe onde íamos, mas ele apenas disse que era uma surpresa.
Ao fim de algum tempo a andar paramos em frente a uma porta velha de madeira e ele chega-se perto do meu ouvido e sussurra-me para tapar os olhos e depois poe as mãos em cima das minhas para ter a certeza que eu não via nada, entretanto ouvia-se o ranger da velha porta a abrir, andamos cerca de um metro e ele tira as mãos de cima das minhas e manda-me olhar
Nunca vira nada tão bonito, era parecido com os campos de margaridas do sul de frança, eu dei uma volta e quando me voltei de novo para o Nick ele tinha uma margarida cor-de-rosa na sua mão e aproximasse de mim e enquanto agarra carinhosamente a minha cara põe a flor no meu cabelo, assim que ele acaba de a por eu começo a correr por ali fora e ele fica no sitio, voltei para tras e fiquei a sua frente de novo
-Apanhei-te- disse ele com um leve sorriso na cara
- Apanhaste nada- disse eu rindo e empurro-o e ele cai, mas ele agarra-me na cintura e eu acabo em cima dele, ele sem me largar a cintura e eu com as mãos a fazer força no chão, ficamos assim durante algum tempo, os nossos lábios estavam a centímetros de se tocarem mas nada nos fazia sair dali, mas eu levantei-me ao fim de 5 minutos e ele levantou-se a seguir e continuamos a andar por mais meia-hora, ao fim desse tempo vejo um cesto de piquenique e pergunto-lhe se foi ele que o pos lá e de faz um gesto de que não sabe, eu corro até ele e abro o cesto, para minha surpresa encontro la um papel que dizia “não, ainda tens de andar mais” quando olho para ele, ele está a rir-se ás gargalhadas
-planeaste isto tudo, não foi?
-talvez… não tens provas- disse com um sorriso matreiro e a tentar esconder o papel
- tenho sim, o papel que estas a esconder mostra tudo
Ele mete o papel no bolso de tras dos jeans e diz que não o vou tirar dali assim daquela maneira, “não me testes” disse-lhe, mas ele continuava a insistir e então eu encosto-me a ele e este pergunta-me o que estou a fazer e eu olho para cima como se não fosse nada comigo então ele agarra-me os braço e puxa para ele e a minha mao direita está fechada, então ele abre-a e para sua surpresa o papel estava lá
- Podes ficar com ele, desta vez mereceste-o
- Eu avisei…
Foi assim todo o caminho até upper town Los Angels, talvez tivéssemos andado 5km mas parecia que tínhamos andado muito mais, ainda bem que não uso saltos altos
Mais uns metros a andar e paramos em frente a um restaurante "Gordon Ramsay at london- west Hollywood", o melhor restaurante de LA, desde que tinha lá chegado que sempre quis lá ir, mas nunca tivera a oportunidade nem o dinheiro pagar, quando lá paramos eu so pensava que era um erro, eu nunca poderia pagar aquilo
- Voi lá. Vamos almoçar aqui
-Sabes que eu não posso pagar isto, não sabes
- Não mas a minha intenção não era tu pagares nada, fui eu quem te convidei por isso pago eu
- Vamos almoçar a outro lado, não me sinto bem a fazer-te pagar tanto….
- Não – disse com um ar convicto- eu sei que sempre aqui quiseste vir por isso insisto em almoçar aqui, e não so insisto como sou eu que te vou escolher o almoço
Nesse momento senti uma lagrima no canto do olho, ele estava a ser tao simpático, nem tinha palavras para o descrever
Entramos e pedimos mesa, mas disseram-nos que so poderíamos entrar para a mesa que queríamos se tivéssemos vesturio apropriado, o Nick apressou-se a dizer que tínhamos e a perguntar onde podíamos trocar de roupa. Dirigimo-nos até ao local e eu agarro-o antes de entrar.
-Que se passa?
-Não tenho aqui roupa para vestir...- disse preocupada
-Tens sim, não tens o vestido e os sapatos da dança que ías mostrar a stora?
- Por acaso tenho. Como é que sabias
-Isso agora não interessa, vai vestir-te
Entramos ao mesmo tempo, demorei-me algum tempo, quando saí já conseguia ver o Nick sentado a minha espera. Ele usava umas calças pretas de fato e uma camisa branca juntamente com uns sapatos de dança e eu usava o meu vestido azul-escuro e preto com os meus sapatos brancos que me acrescentavam 10cm o que estragava tudo era a enorme mochila que carregava, mas a empregada logo se apressou a guardar-ma, a medida que me aproximava da mesa podia jurar que ele abriu ligeiramente a boca com um ar surpreso eu sentei-me e perguntei-lhe se alguma coisa se passava mas ele apenas me dizia que eu estava linda
Dentro de alguns minutos a empregada chega e coloca-nos os pratos na mesa
-O que pediste para nós?
- “Pasta Tagliatelle, grilled octopus, tomato and basil” (tagliatelli com polvo gralhado, tomate e manjericão)
Tenho de dizer que tinha um sabor incrível, o manjericão dava-lhe um toque de frescura inigualável
Passado um bocado chegam os pratos principais, “London Burger, grafton chedar e batatas fritas” para ele e “ Risoto de beef com queijo mascarpone” para mim
Passada uma meia hora chega a nossa sobremesa “tarte de maça com gelado de baunilha”, não tenho palavras para a descrever foi a melhor coisa que tinha comido até aquele dia, a melhor parte é que foi partilhado por nós os dois
No fim da sobremesa a empregada volta e anuncia que está tudo pronto, eu pergunto-lhe o que se passa mas ele apenas diz para me levantar e agarra a minha mão, a empregada leva-nos para o meio da sala onde esta um espaço razoavelmente grande, uns segundos mais tarde começa uma musica a tocar
- Danças comigo?
Eu nem respondi e agarrei-me ao seu pescoço e ele pos as mãos na minha cintura e começamos a dançar, estivemos ali durante 5 minutos que pareciam uma eternidade onde o meu coração batia bastante mais depressa do que é costume e como estava encostada ao peito dele conseguia ouvir também o seu bater de coração que por momentos me acalmava e me fazia sentir que nada tinha a temer, entretanto a musica acabara e todos os que lá almoçava batiam palmas depois uma empregada vai ter comigo e dá-me uma rosa vermelha que tem um bilhete colado que dizia “Obrigado por teres tornado este dia tão especial” assim que o li abracei-o dei-lhe um beijo na bochecha e ele ficou com um sorriso enorme
No fim de tudo isto agradecemos por tudo e ele disse-me que íamos sair assim, vestidos daquela maneira formal que tinha a sua graça, para ter mais piada ele deu-me os seus óculos de sol que fazia com que tivéssemos um ar de celebridade.
Quando saímos toda a gente olhava para nos de maneira diferente, dando-nos alguma importância á qual não estávamos habituados, essa situação fora bastante engraçada, acho que até houveram pessoas que nos tiraram fotografias, e  nos acabamos por tirar umas também numa maquina de fotos rápidas, aquela que há no meio da rua e que vamos lá para dentro e a maquina tira fotos.
Tiramos algumas bastante engraçadas, e outras mais queridas, lembro-me que uma delas somos nos os dois a fazer um coração com as mãos. Acho que o nosso maior problema foi saber como dividir aquelas 6 fotos que ilustravam a perfeição desse dia
-Nunca me diverti tanto num dia!
-Nem eu- exclamou ele sorrindo com aquele sorriso que mostra todo o sentimento
Andamos até um parque ali perto, tenho de admitir que estava a precisar de me sentar por causa dos sapatos, e ficamos num banco que tinha vista para toda a cidade, eu deitei-me em cima das suas pernas e estivemos assim durante um bocado e um tempo depois podia sentir as suas mãos no meu cabelo, era a melhor sensação do mundo
-Vem comigo- sussurrou ele no meu ouvido
-Onde?
-Preciso da tua ajuda para uma coisa…. Mas temos de ir agora, se não não vamos ter tempo
Levantamo-nos os dois e começamos a caminhar até á baixa da cidade onde paramos em frente a uma loja….


Capitulo 4


Hoje vou almoçar com o Nick, ao contrário do que todos podem pensar eu vou vestida normalmente, jeans, T-shirt e nada de maquilhagem. Quero que ele entenda que somos só amigos e nada mais
Tenho de admitir que estou a morrer de curiosidade sobre a questão de ele falar Francês e ninguém saber, hoje vai ser a minha “missão”, descobrir a verdade
Chego a escola e ele está a minha espera no portão, e corre até mim para perguntar se o nosso almoço ainda está combinado
- claro que está- disse sorrindo
- encontramo-nos aqui na hora de almoço- disse despedindo-se com um pequeno empurrão
A caminho da aula de Álgebra, meu deus quem inventou a matemática devia morrer, aparecem-me 3 pessoas a frente como se eu lhes tivesse feito alguma coisa, uma delas era a Gwen, pelo que se ouve nos corredores ela é a rapariga mais detestável de todo o liceu, a capitã da claque, aluna de excelentes, actividades extracurriculares sem fim mas apesar de tudo não era novidade nenhuma que ela gostava de rebaixar as outras raparigas *(tem sempre de haver alguma não é?) e depois havia as outras 2 raparigas, que pareciam os cachorrinhos atras do dono a espera de um biscoito, que no caso delas era a popularidade, ambas a tentar ser a Gwen, ambas igualmente na claque e neste momento a fazer de membros da “equipa de guarda-costas mais ridículos de sempre”
-Consta por aí que a miúda nova começa bem, logo no segundo dia a almoçar com o capitão da equipa de futebol, sim senhor- dizia ela em tom de gozo- espera lá…és tu não és? A miúda nova que vai almoçar com o meu namorado?
-Há problema?- respondi como se não fosse nada de mais
-Há sim, ele o meu namorado, e pessoas como ele não se dão com pessoas como tu querida. Faz um favor a ti própria e não te aproximes mais dele – Afirmava ela como se mandasse em tudo e todos
-Isso é uma ameaça?- Disse eu a rir, e enquanto o dizia toda a gente parava e ficava a olhar enquanto as outras duas me diziam que era apenas um aviso e eu ainda me ria mais na cara delas
 Eu ando com quem quero, não são duas pessoas sem vida própria e uma que se acha a maior que me vai dizer o que fazer. O mundo não gira a vossa volta, vivam com isso
Assim que acabo a frase continuo em frente e oiço as murmurar que eu me vou arrepender enquanto isso grito do fundo do corredor que não são elas que me metem medo
Todas as pessoas que passavam por mim olhavam como se eu tivesse feito algo do outro mundo… a verdade é que ninguém me diz o que fazer, muito menos pessoas sem vida e que só sentem bem a rebaixar os outros
Cheguei á aula, sorte a minha, ia ter aula com a miss convencida, mal podia esperar por ver a cara dela quando eu entrasse porta a dentro
Eu tinha razão para a querer ver, assim que eu entrei porta a dentro, ela vira-se, levanta-se e vai ter comigo a andar de maneira pousada como se mandasse no mundo, quando chega ao pé de mim tenta atirar-me os livros ao chão mas eu agarro-lhe a mão antes de ela fazer alguma coisa, num reflexo ela solta-se e diz-me firmemente de uma maneira que inspira medo aos mais vulneráveis “ Não sabes com quem te meteste” “Ai isso é que sei, e se pensas que tenho medo estás muito enganada, tu és tao patética que só me das vontade de rir” Dito isto ela sai porta fora e enquanto me sento começo a ouvir um crescente som de pessoas a bater palmas até que o stor os manda parar, talvez para as pessoas aquilo tenha sido algo do outro mundo mas já estava habituada de alguma maneira a aturar pessoas assim


Capitulo 3


Acabaram as aulas finalmente, estava com saudades do descanso das férias, já não tinha férias desde a pascoa, já que passei todo o verão a tratar das mudanças
Liguei o meu Facebook, já tinha saudades dele, já não ia lá desde a 1ª semana de Junho, já lá iam quase 4 meses, tinha imensas notificações de fotos minhas e publicações no meu mural a dizerem que tinham saudades, para além disso tinha imensos pedidos de amizade, aceitei todos, nem reparei de quem eram… passados 15 minutos recebo uma mensagem para minha surpresa era do Nick
“ - Olá rapariga nova, tudo bem?
  - Pois rapariga nova…. Sim e contigo?
  - Peço desculpa, Olá Brooke
    Também
 -Assim está melhor
  - Então que andas a fazer?
  -Ouvir musica e tu?
  - J'aime la musique, je l'écoute aussi.
 
-O capitão da equipa de futebol fala francês?
  -Oh... Odeio que me apresentem assim, eu não sou nada como os outros que só pensam nas gajas e só querem saber do aspecto, eu não penso assim, dou valor a outras coisas que são mais importantes. Mas como sou o capitão ninguém quer saber como sou, apenas me querem usar…
Desculpa lá este desabafo, mas não suporto estes estereótipos
 - Eu percebi que não eras como os outros rapazes populares, apesar de tudo o que dizem
 - Posso saber como?
  - Digamos que sei umas coisinhas sobre psicologia e expressões corporais e faciais, até arrisco a dizer que és ligeiramente tímido e fechas-te quando alguém novo entra no teu espaço
 - Mau… isso não é para ninguém saber… fica só entre nós
    Mas não era sobre isto que queria falar, mas depois disto deixaste-me ainda mais inseguro sobre o tema que queria, vai parecer super estranho perguntar-te isto….
  - Pergunta. Hey… não há julgamentos
 - Almoças comigo amanha?
  - Sim
 - Tenho a sensação de que me vais deixar pendurado, como é que aceitas assim o pedido de um desconhecido?
 - Está descansado, eu apareço
 Quem é que iria recusar um almoço com o menino perfeito? Eu não….
  - Não sejas assim
 Vou ter de ir, Adeus ”
Quem diria, que o “menino perfeito” era assim com as raparigas? Eu não. Apesar de não o conhecer bem e ter algumas dúvidas sobre os motivos do almoço aceitei, vou dar-lhe a oportunidade de provar que ele não é o que fazem dele, além disso não tenho nada a perder. Apesar de esta conversa ter sido pequena, há algo que me diz que ele diz a verdade e que não é como todos o fazem, ele parece ser alguém completamente diferente, eu não adivinharia que ele falava Francês. Eu sei que não quer dizer nada mas acho estranho nenhuma das raparigas o ter mencionado
Mais tarde nesse dia falei com a Ruthe e o assunto Nick veio ao de cima e lembrei-me do que se passou com o Francês e perguntei-lhe se o Nick falava alguma língua europeia, mas ela apenas me disse que ele apenas falava espanhol que era a disciplina que tinha escolhido
Ele nunca teve francês e ninguém sabe que ele fala, isto está a ficar estranho, será que ele é mesmo mais do que aparenta ser


Capitulo 2


Entrei na aula de Informática, sentei-me ao lado da Ruthe, após as detestáveis apresentações iniciais a stora começa por dizer que formou grupos de trabalho, quando se é a rapariga nova isto é das piores coisas que nos podem fazer, impingir-nos a estar com pessoas que não conhecemos durante 1.30h, só desejava ficar com alguém simpático que não passasse o tempo a gozar com o meu sotaque e não passasse o tempo a chamar-me “miúda nova”
- Brooke vais ficar com o Joe e com o Nick
Começo a olhar em volta a tentar perceber quem serão eles depois a Ruthe chama-me para perto deles e apresenta-mos.
Joe não é americano, nota-se pelo ligeiro sotaque francês, talvez seja canadiano ou algo parecido mas o Nick…. Ele super popular, se não o mais popular deste liceu, para além do aspecto físico de atleta tem aquela cara para quem toda a gente que olha se deslumbra, mas apesar disso nota-se mais a popularidade pela raiva que transparece nas caras das raparigas ao ouvirem o meu nome junto do dele, até tem a sua certa piada, isso costumava acontecer as vezes em Portugal com as ex-namoradas e namoradas dos meus amigos, pelo que parece sou muito invejada e comentada, desde que cheguei e me viram com a Ruthe e agora vêm me com o rapaz mais popular e um amigo dele oiço o meu nome por todo o lado
Assim que o meu “julgamento” interno acaba ambos questionam se eu sou a rapariga francesa de quem eles ouviram falar que ia entrar na segunda semana de aulas, respondi afirmativamente com um tom ligeiro e algo envergonhado
Joe apresenta-se logo como sendo canadiano (tal como eu previra), ele vivia perto de Ontario até á 2 anos e nessa altura o seu pai fora transferido para Los Angels depois disso conhecera Nick quando tentava entrar na equipa de futebol, mas ao que parece so havia um lugar e apenas o Nick pode entar e agora eles encontram-se todos os dias no fim das aulas no café em frente a escola. Além disso ele é meu vizinho, mora mesmo ao meu lado
-Eu sou o americano daqui, juntamente com a Ruthe, como o Joe disse eu jogo na equipa de futebol da escola, espero ver-te um dia nas bancadas a torcer pela nossa equipa
- O Nick é o rapaz perfeito desta escola- completou Ruthe- capitão da equipa de futebol, vocalista de uma banda, pratica dança latina, notas altíssimas… pack completo- disse enquanto se ria
- Quando chega alguém novo começas sempre por dizer isso… Eu sou muito mais do que isso, sou gentil, simpático, adorável…
- E modesto- completei
-Sim, acima de tudo modesto- disse lançando uma gargalhada
- Oh vá lá Nick olha para a tua figura, este momento devia ter sido gravado só para veres a tua figura
-Joe a sério? Eu faço sempre boa figura, certas meninas?
Ambas acenamos com a cabeça a dizer que não e o Nick começou a ficar com uma cara de amuado e do nada começa-se a rir, só acaba mesmo por parar quando a stora o manda calar e quando olhava para ele, ele ainda parecia estar a tentar conter o riso
Entretanto toca e hora do intervalo, Nick tinha de ir ter com a equipa por isso ficamos eu, o Joe e a Ruthe a passear pela escola até que chegamos perto do ginásio e Ruthe sussurra para mim
- O Nick é lindo não é?
-O normal…
- As outras raparigas não dizem isso, todas querem passar o tempo com ele, o sonho delas é sair com ele… Não admira, ele é o menino perfeito
- Ninguém é perfeito, nem mesmo ele
Enquanto conversamos eu reparo que tenho a sapatilha desapertada e baixo-me para atar os atacadores e oiço os a comentar “será que ela é mesmo diferente?”
Talvez muitas o achem perfeito mas para mim é só mais outro humano no mundo, que apenas é bastante bonito, mas e depois? Será que só isso conta? Não, eu nem o conheço, não consigo ficar apanhadinha por alguém que não conheço muito menos um rapaz que o que não lhe falta são raparigas, eu sei bem qual é a minha posição nestes casos, afasto-me e deixo o caminho livre para as outras


domingo, 12 de agosto de 2012

Capitulo I


Capitulo 1
Passaram 2 semanas desde que me mudei de França. Isto era e é o meu sonho, viver nos Estados Unidos, especialmente em Hollywood. Devia estar a viver o meu sonho, mas esqueci-me do mais importante em França, os meus amigos. Por muito que os quisesse aqui era-me impossível, como se costuma dizer, não podemos ter tudo o que queremos, tenho imensas saudades deles, especialmente porque quase não falamos, eles estão com 9 horas de avanço em relação a mim por isso não dá tempo
Quando queremos imigrar é tudo tao perfeito enquanto é planeado, depois no minuto em que nos metemos dentro do avião é que nos lembramos de tudo o que deixamos para trás e do seu valor, depois é simplesmente tarde de mais para voltar atrás.
Porque é que eu quis imigrar? Bem desde sempre o quis, e agora a transferência da minha mãe para a UCLA e do meu pai para o hospital de LA veio mesmo a calhar, mas para mim os EUA são um sonho, bem tenho a dizer que eu não sou francesa, apenas vivia lá, eu sou portuguesa, logo a emigração já não é novidade para mim, a diferença é que em Portugal tinha poucas razoes que me prendessem lá, tinha amigos sim, mas não era muito chegada a eles, as personalidades eram tao diferentes que por vezes geravam conflitos, entretanto mudei-me para Lille e fui morar para perto de uma amiga minha de infância, a mudança não foi muito fácil por causa da língua, já não me lembrava bem do francês mas graças a ela foi tudo muito mais fácil, andávamos na mesma escola e tínhamos quase todos os mesmos amigos, também mantinha o contacto com alguns amigos de Portugal mas dei prioridade a vida em de França. Agora cá estou eu a mudar-me para os EUA e a morrer de saudades dos amigos de frança, esses sim marcaram-me mas ainda tento manter-me em contacto com eles mas os jet lag dá comigo em doida
As vezes ainda ia a Portugal quando estava em França, mas agora fazer voos transatlânticos é muito mais difícil de que um simples voo de duas horas, alem de ser mais caro, por isso agora só la vou uma vez por ano, Natal ou Pascoa, as ferias de verão vou ano sim ano não a frança ver os meus amigos. Passei da rapariga que nunca tinha voado de avião na vida para uma rapariga que voa constantemente de continente em continente. Sinceramente voar já me chateia, sempre a ir de um lado para o outro….
O meu último dia de escola em França fez-me ficar triste, só percebi que ia ficar longe dos meus amigos nesse dia, talvez fora um dos piores dias da minha vida, nesse dia só queria tirar fotos atras de fotos para poder lembrar todos os momentos, na verdade tirei tantas que tenho metade de uma parede do meu quarto cheia delas, no momento em que disseram na sala que se queriam despedir de mim sabia que ia perder contacto com algumas das pessoas com quem me importo realmente, viver nos estados unidos vai ser um desafio sem eles por perto, apesar de existir o Facebook a diferença horaria ainda é grande e por isso vão ser poucas as oportunidades para falarmos, além disso viver com o jet lag tem sido horrível nestes últimos tempos, são horários totalmente diferentes, é estranho ser meia-noite e eu acordar como se já fossem 9 da manha, os horários são um pesadelo, não faço ideia de como me irei habituar a isso, mas vou ter descobrir rápido caso contrario vou ter de começar a beber café antes de ir para as aulas, não é que gosto muito de café, mas ate me habituar vai ser a minha salvação.
Por fim vou ter imensas saudades da minha linda casinha (ou casinhas, ainda sinto falta da minha casa de Portugal, era tao bonita, estava mesmo em frente ao rio e á noite podia adormecer a ver as estrelas só tendo a janela aberta) em França tinha um apartamento mesmo no centro da cidade (la não se via muitas estrelas, a iluminação francesa no centro é simplesmente excessiva) mas estava sempre perto de toda a gente, não sabia bem como ia ser a nova casa, apenas tinha visto algumas fotos e tenho de confessar que estava um bocado receosa, mas agora…. Nunca tive uma casa tao linda, assim que lá entrei fiquei deslumbrada, era enorme, a sala era enorme e totalmente moderna, a cozinha tinha a ultima tecnologia mas o melhor foi sem dúvida o meu quarto, esse sim, a decoração remetia-me para Nova Iorque e assim que punha os pés no terraço estava num paraíso tropical com cama de rede e jacuzzi vou poder adormecer outra vez a luz das estrelas. Esta casa de uma certa maneira confunde-me, não estou habituada a tanto luxo tenho de admitir, na Europa se tivesse o que tenho aqui era logo alvo de atenção de todos, mas aqui em LA há algo que impede as pessoas de o fazer, talvez por ser o costume.
O meu primeiro dia de escola foi um grande desastre, perdi-me na escola algures entre a aula de biologia e a aula de inglês, A única coisa boa foi quando estava a procura da sala fiz a minha primeira amiga, Ruthe, ela é bastante diferente das raparigas a quem estou habituada, especialmente em termos de maquilhagem, usa bastantes menos ao contrario do que esperava quando chegasse a Hollywood e bastante simpática, existe aquele estereotipo de que a raparigas desta zona são todas arrogantes e usam toneladas de maquilhagem, mas ela não, depois temos o contraste feito pelas raparigas da claque que são totalmente o que se pensa das raparigas de Hollywood, usam toneladas de maquilhagem, comer não é muito para elas e depois super falsas
Passou uma semana desde que estou na BHHS (Beverly hills high school) e vejo grandes diferenças. Por exemplo, ao almoço as pessoas comem com os seus "grupos", populares com populares, nerds com nerds,...  Um pouco como em França mas aqui torna-se bastante mais distinto até pelo próprio estilo das pessoas, tive sorte, a Ruthe era popular, embora eu não me encaixasse nesse estilo mas sabia que havia pessoas que desejavam a qualquer custo entrar para o grupo dos populares da maneira como eu entrei. Algumas raparigas aqui parecem que não têm vida própria, elas imitam-se umas às outras, isso é doentio no meu ponto de vista, ter opinião é o que faz de nos humanos mas estas raparigas renegavam essa qualidade para subir de estatuto e ficarem com os rapazes mais bonitos, apesar de terem tudo aparentam um ar triste, para além disso algumas toleram tudo o que os namorados lhes dizem e fazem e insultam as outras raparigas para conseguirem aumentar a sua auto-estima. Sim, estou no sítio certo. Bem-vindos ao liceu