A loja era afinal uma joalharia, era
mesmo linda, ele fez questão que entrássemos, quando eu entrei os meus olhos
viraram-se para o tecto, lá estava um lindo candelabro de cristal, mas depois
logo o Nick me chamou a atenção a pedir-me ajuda para escolher um anel, tentei
saber para quem mas sem sucesso…. A senhora que estava a atender tratava-nos
como se fossemos alguém importante. O Nick apressara-se a pedir para nos
mostrar anéis de prata, havia lá anéis lindíssimos eu tentava nem parecer muito
impressionada mas era quase impossível.
- Podemos experimentar os anéis em
ti? A pessoa para quem é tem mais ou menos o mesmo tamanho
- Não tem problema- a verdade é que
estava a morrer por dentro so de pensar que ía poder tocar neles…. Nunca na
vida pensei em poder entrar numa joelharia daquelas e experimentar anéis sem me
sentir pressionada para o comprar
Experimentámos quase todos os anéis
de lá, estávamos quase a desistir mas ele olhou para um anel e ficou encantado,
era lindo, banhado em prata, o anel estava dividido em 3, duas das tiras eram
direitas e depois uma delas, coberta de pedras a imitar diamantes que se
atravessava por cima das outras, ele olhou para mim e disse que aquele era
perfeito. Entretanto eu vou lá fora, por incrível que pareça ainda eram quatro
da tarde e eu não queria sair dali, pouco tempo depois ele sai com um pequeno
saco na mao, olhou para mim e agarrou na minha mão e começamos a andar pela rua
abaixo.
Paramos perto de um parque lindo,
fazia-me lembre o Central Park em NY, andamos até uns bancos que estavam em
frente a uma fonte e sentamo-nos lá e conversamos durante um tempo, até que ele
me manda fechar os olhos, depois sinto uma coisa na minha mão
- Sabes porque é que as alianças são
postas no anelar esquerdo? Porque é o único dedo que está directamente ligado
ao coração – sussurrou ele enquanto me agarrava a mão
Quando eu abro os olhos e vejo o anel
que ele tinha comprado na joalharia estava no meu anelar esquerdo as lagrimas começaram
a cair-me dos olhos. Ele olha para mim com um ar preocupado e pergunta se está
tudo bem
- Sim, não podia estar melhor –
enquanto isto ele abraça-me
- Vamos, levanta-te vamos a um sitio
- Já não consigo, os saltos dão cabo
de mim
- Então que não seja por isso –
quando fico em mim ele já me tinha pegado ao colo e estávamos quase á saída do
parque
Ele voltou a subir a rua e estávamos
a voltar por onde tínhamos vindo, passamos pela joalharia, pelo restaurante, e
perto do restaurante sentada num banco do outro lado da rua estava a Gwen com as amigas que se assim que deram
conta da nossa presença ficaram com uma cara, como se tivessem visto um
fantasma, mas a Gwen não se conformou pelo facto de ver, levantou-se e foi ao
nosso encontro.
Ele olha para mim e pergunta se eu quero ir embora, acenei
com a cabeça de maneira positiva e ele atravessa uma rua muito movimentada,
quando a Gwen chega a passadeira o sinal fica verde e ela não tem como passar
para o lado onde estávamos, enquanto isso eu e ele continuamos a andar, quase
que consigo imaginar a sua cara de furiosa ao ver que não conseguia passar,
algum tempo depois voltamos ao mesmo campo de margaridas por onde tínhamos
passado antes, nessa altura estava um lindo por do sol, o céu estava coberto
com um tom alaranjado com nuances rosa
era impossível não ficar apaixonada pela paisagem naquele momento, sentámo-nos
e ficamos ali a apreciar durante algum tempo, nada podia estragar aquele
momento maravilhoso, nessa altura parecia que o mundo se resumira aquele
espaço, nada mais existia, só nos e o campo coberto de flores, o tempo ainda
não existia era um mundo sem preocupações.
Estivemos lá durante imenso tempo deitados a conversar, nem
dei pelo tempo passar, quando caí em mim já era quase noite, já se notavam
algumas estrelas no ceu, a lua esta bem lá no cimo e uma aragem fresca passava
por nos fazendo-nos tremer, eu levanto-me e ele levanta-se também logo de
seguida
- Devíamos ir é de noite, já se vê a lua…
- “Qual é a luz que brilha através daquela janela? É o
oriente, e Julieta é o Sol. Ergue-te, ó Sol resplandecente, e mata a Lua
invejosa, que já está fraca e pálida de dor ao ver que tu, sua sacerdotisa, és
muito mais bela do que ela própria.”
Enquanto cita Shakespeare ele puxa-me para perto dele
enquanto me cobre com o seu casaco e vamos ficando cada vez mais perto
- Até é pecado compares-me com o sol e dizeres que a lua tem
inveja de mim
- “Então fica quietinha: eis o devoto. Em tua boca me limpo
dos pecados.”- diz beijando-me e agarrando-me fortemente contra ele”
- Agora sou eu pecadora
- “Pecados meus? Oh! Quero-os retornados. Devolve-mos.”
- “Beijais tal qual os sábios”, mas como sábio que és,
sabeis que devemos regressar
-Claro que sei, assim que estivermos na escola levarei a
donzela a casa
- Lisonjeada me sinto
Começamos então a andar em direcção ao portão de madeira por
onde entramos, por onde passávamos conseguíamos ouvir os grilos, as cigarras e
ainda víamos alguns coelhos, este fora um dia maravilhoso, mal podia esperar
para falar com a Ruthe sobre tudo o que acontecera, mas nesse momento não
conseguia pensar em nada apenas no dia que tinha acabado de viver e em como
feliz eu estava por estar ao lado dele.


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