sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Capitulo 8


-Estes marshmallows até são bons
-Nunca tinhas comido antes? Estou chocado….
-Não, nunca. Chocado? E tu, já alguma vez comeste bacalhau?
-Sim, chocado. Não, nunca
-Crepes com chocolate?
-Também não
-Agora quem esta chocada sou eu, é melhor coisa do mundo – Disse com um enorme sorriso e um brilho nos olhos.
Do nada ele beija-me e fecha os olhos e levanta um dos cantos da boca e ri-se para mim.
-Sim, adoro crepes com chocolate
-Mas já tinhas comido antes ou não?
-Não, mas tu não disseste que era a melhor coisa do mundo? A melhor coisa do mundo és tu, sabes porquê, porque tu és única, a única rapariga que me faz viver a sensação de nunca ter falado com uma rapariga antes todos dias, a única que me apetece ter sempre perto de mim, a única que me desafia todos os dias e única que me tenta em roubar o seu último nome – enquanto isto tira o meu cabelo da frente da minha cara e levanta-a e roda-a, ficamos a olhar um para o outro e ele vai passando a mão nas minha bochechas que cada vez ficam mais corada, aproxima-se lentamente, parecendo que  me ia beijar, mas depois começa a sussurrar no meu ouvido – Nunca disse isto antes a ninguém, mas acho que te amo!
Nesse momento a minha cara estava a ser rasgada por um sorriso e podia sentir uma lágrima a cair no canto do olho, abracei-o com tanta força que podia ouvir o seu coração
-Eu também te amo!
Assim ficamos, agarrados um ao outro, num momento marcado pelo sentimento nos nossos olhares, pela paixão que se denotava entre nós, o meu coração batia a mil, tal como o dele, o bater do seu coração, a sua respiração…. Era tudo o que eu conseguia ouvir, de repente o mundo havia parado completamente e apenas restávamos nos, sentados, á luz de uma pequena fogueira, com a luzes da cidade. Nunca me haviam dito com tanto sentimento que me amavam, estava completamente apática, talvez por ter sido tão de repente ou simplesmente a emoção a falar mais alto
-Amanha temos aula – diz encostando a sua cara minha – devias dormir… Deita-te, eu aqueço-te.
Deitei-me ao seu lado virada para ele, com a cabeça encostada no peito dele e ele com o queixo em cima de mim e com um braço á minha volta
-Não consigo…. Estou com uma música na cabeça
-Qual?
- Entre o Sol e a Lua, não deves conhecer.
-Espera só um bocado
Dois minutos depois, para minha surpresa, começa a cantar aquela música, nunca iria imaginar que ele sabia a música, especialmente por ser portuguesa. Aquela música fazia-me sentir tão bem, um ritmo tao calmante, e fazia-me voltar ao meu país, á minha língua e às minhas raízes. Foi tão estranho ouvi-lo cantar em português, ainda por cima esta música que me diz tanto, mas a verdade é que ele cantou a música tão bem, conseguia ouvir o sentimento na sua voz
Como será que conhecia esta música? Perguntava-me constantemente, pensei em perguntar mas não sei, não seria um bocado estranho perguntar? Não sei…. Mas tenho de o fazer isto está-me a atormentar….
- Pergunta, eu sei que o queres fazer….- Murmurou
- Pergunto o quê?
-Como conhece a música e falo português mais ou menos….
-Estava a pensar perguntar, mas só contas se queres….- Por dentro estava a morrer de curiosidade mas ele dava-me uma sensação de que o que quer que fosse não seria nada de mais.
- Agora não acho que seja importante, mas um dia prometo que te conto.
Apesar de sentir curiosidade por saber eu tinha confiança nele, ele não me ia esconder algo que me prejudicasse. Voltei a encostar-me a ele e abracei-o com mais força do que o habitual e ele sentiu que algo não estava tao bem como habitualmente e tentou reconfortar-me cantando a nossa musica mas não estava a resultar, ai levanta-se e vai até á beira do planalto e fica a olhar para o horizonte estrelado.
Vou ter com ele e fico ao seu lado a olha para o trânsito que lá passa. Lembro-me de pensar que mesmo a meio da noite o movimento da cidade é imenso comparado com Portugal em que raramente passavam carros a noite.
- Não viemos parar aqui por acaso. Não estamos perdidos – Suspirou. Olhei-o com um ar confuso, não fazia ideia do que estaríamos a fazer aqui, num lugar tao isolado – Tem calma, quis trazer-te aqui porque este é o meu sítio especial, venho para aqui sempre que sinto saudades de alguém ou quando preciso de pensar. O meu avo trouxe-me aqui pouco antes de morrer num acidente de carro, acampamos aqui, tal como nós estamos, pouco antes de nos deitarmos ele contou-me a história de como conheceu a minha avó, tinha sido neste exacto sítio, da mesma maneira, desde então vinha aqui todos os fins-de-semana com ela e fazia exactamente o mesmo, acendiam a fogueira e ficavam a ver as estrelas antes de se deitarem, já de madrugada. No fim da história ele disse-me que mais tarde ou mais cedo eu viria aqui parar com alguém especial, por acidente, tal como ele ou então não. Trouxe-te aqui porque quero que saibas que o que sinto por ti é verdadeiro e queria poder partilhar o meu sítio especial com alguém especial. Tu. Também te quero dar isto, a minha avó quando soube de ti deu-mo, pode não ser muito, mas ela insistiu em que to desse, ainda a consigo ouvir: “Dá-lhe este colar, vais ver que nunca se vão esquecer um do outro independentemente do que aconteça” chama-me maluco, mas eu acredito. – Nessa altura ele pôs-me o colar, era um fio de prata com um medalhão em forma de coração que atrás tinha o símbolo de infinito gravado. Abracei-me a ele com tanta força, as lágrimas escorriam-me pela cara, ele demorou a retribuir o abraço, como se não tivesse a espera da reacção e depois de me beijar na testa olhou-me nos olhos e disse “Nós vamos ficar juntos para sempre”














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